quarta-feira, 29 de abril de 2009

Notinha Literária


A Cia das Letras está relançando a obra da escritora Lygia Fagundes Telles. Por ocasião do relançamento, uma série de eventos vão acontecer no SESC Vila Mariana: leituras adaptadas por Maria Adelaide Amaral para o teatro com atores de renome. Vi uma edição ontem na livraria. Tem acabamento bonito. Merecida essa reedição.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Como salvar a literatura?

Recomendo a leitura do artigo publicado por Jorge Coli ontem no caderno "+mais!" da Folha de SP. O artigo se chama "Inteligência e afeto" e está disponível no site para assinantes do portal UOL ou do jornal Folha de SP.

Para quem não leu, faço aqui o resumo: Jorge Coli falava do livro "A Literatura em Perigo" de Tzvetan Todorov e das muitas ideias que ele carrega. No meio acadêmico, cada vez mais, aparecem disciplinas que procuram estudar cientificamente a literatura - é o caso da teoria da literatura que reivindica para si o papel de ciência autônoma desde o seu surgimento. Isso tem um resultado negativo já que esse estudo metódico estaria matando o prazer da litertura. Há um outro efeito prático: alunos ingressam nas universidades em busca de disciplinas teóricas sem um repertório mínimo de leituras. Todos ficam patinando em um instrumental sem serventia prática devido a essa falta. Jorge Coli fala ainda que a falta de leitura não dá ao leitor a paixão que só os livros podem dar.

Opinião pessoal: existe uma questão da literatura, sobretudo ao longo do século XX, ter se fechado. Romances complicado, de difícil leitura, cheios de referências, etc. atrapalham os novos leitores da era virtual. Volta também aquele deficiência do ensino, a pasteurização da internet, a dificuldade de construir pensamentos críticos, etc. A leitura dos livros dá as pessoas um importante repertório pessoal, não só de aprendizagem teórica, mas aprendizagem da vida. Com a leitura nosso pensamento fica estimulado, aprendemos coisas novas, desenvolvemos nossa capacidade de abstração e somos levados a experiências únicas.

Me lembro muito daquele livro (que também é teórico) "Quem ama literatura não estuda literatura".

sábado, 25 de abril de 2009

A dupla de II


Daqui a um mês deve sair, oficialmente, o disco novo da dupla Lindstrom & Prins Thomas. Vai se chamar "II" - simplesmente. Li por aí que vai ser com faixas bem longas, nada pesada, nada para pistas - apesar de transitar na atmosfera neo disco, psicodélica, acid, etc. Notícia boa, né? Gosto muito dessa dupla e acho que eles dão uma renovada em tudo, sempre que fazem alguma coisa nova.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Ainda: os livros, os leitores e o twitter

Falando tanto em livros, em leitores, em twitter... quero dizer que o Dia Mundial do Livro deveria servir como incentivo. É! Incentivo para todo mundo participar do clube do livro que organizo. Chama-se CASMURROS e o link é esse aqui: http://casmurros.blogspot.com

Vai lá! Leia com a gente, participe dos comentários, ajude a gente a escolher nossa próxima leitura. E acompanhe a gente no twitter também: http://twitter.com/casmurros

É isso!

LIVROS, SIM!


Ontem foi Dia Mundial do Livro! Data importante para algumas reflexões sobre a leitura e o consumo de livros no Brasil.

Não sei dizer ao certo qual é o problema do mercado editorial (falando em termos de livro) em nosso país. Para termos um mercado forte precisamos de quatro coisas: leitores, autores, editores e livrarias - to simplificando bastante.

Leitores no Brasil, a gente sabe que definitivamente não há muitos. É muito ruim admitir isso, mas é verdade. Veja, por exemplo, o número de leitores de jornal e revista? É bem pequeno em comparação com o tamanho da nossa população. Depois temos um sério problema de educação: as escolas não são suficientes, os alunos ter uma formação inadequada, o desinteresse por ensino é grande, etc. Como consequência, ler é uma coisa bem chata. Tem também o problema com a formação dos professores e tantos outros: o aluno não sabe o sentido da leitura - "tem de ler para ser alguém na vida" -, muitas vezes ele se vê obrigado a ler, não compreende o que está lendo, não sabe interpretar, etc. Tudo isso acaba criando uma base bem grande para das apenas uma explicação ao problema da leitura.

Autores nós temos. E temos aos montes. Ainda mais agora com a internet, o fenômeno dos blogs, o aquecimento da economia e a pequena melhora na educação. Tudo isso, impulsiona as pessoas a escreverem e produzirem. No entanto, existe um paradoxo: temos muitos autores, mas não temos tantos bons autores quanto gostaríamos.

De editores, acho que não é necessário dizer que também temos. Nem todos são bons, mas os bons existem e abastecem o mercado de maneira justa. Como nós não estamos vivendo esse mercado de perto, não dá pra dizer o que impossibilita o aparecimento de edições com "papel jornal" e capas não tão bem acabadas. Acho que esse tipo de edição não vende muito, não atrai o consumidor. Os poucos leitores brasileiros não estão acostumados com isso. Mas as editoras não produzem nada assim. Alguém sabe dizer porque?

Livrarias: antes elas eram familiares (assim como muitas editoras ainda são!) e agora são megas, hipers, masters. As livrarias de bairros estão sumindo. Precisa a economia melhorar para a moda de livrarias de bairro voltar. As livrarias fazem o possível para dar descontos, mas a decisão final sobre o custo não está nas mãos delas. O que elas podem fazer é abrir o negócio, dar descontos, fazer promoções e colocar funcionários qualificados para atender. Nisso, alguns sebos saem ganhando. A atenção que a gente recebe nos sebos é bastante superior a das livrarias. Os funcionários ajudam, conversam e quase sempre conseguem aquele livro raro que você tanto procura. Pena que no quesito preço: o que é raro saí bem mais caro do que em qualquer lugar - mas isso é lei universal, não só no Brasil.

Bom, conclusão final: aqui os livros são muito caros - me disseram que são os mais caros do mundo. Qualquer edição não sai por menos de R$ 30,00. Existem promoções nas editoras, nas livrarias, nos sites, mas mesmo com os descontos o preço final ainda é alto. Existe um círculo vicioso que não consegue ser quebrado. E de cada lado é uma batalha dura. Mas timidamente, com o aquecimento da economia, o negócio melhorou um pouco e acredito que deve melhorar. Só que ainda muito timidamente. Uma pena!

Ele é o cara!


Finalmente São Paulo vai ter a oportunidade de ver de perto uma exposição com obras de Vik Muniz. Ele é o cara! A exposição será no MASP - isso mesmo, no MASP! Aquele museu que tava enfrentando uma série de problemas e agora tenta se reerguer. A mesma exposição já foi apresentada no mundo todo e teve uma temporada de sucesso em terras cariocas. Agora vem pra São Paulo - lugar em que artista plástico e fotógrafo nasceu.
Você já deve ter topado com alguma coisa feita por ele: capas de cd, cartazes, outdoor ou mesmo comercial de tv.

Ah! Começa hoje.

*foto de divulgação

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O Twitter é uma onda!


Depois das "cellphone novels" japonesas - espécie de micronovelas escritas através do celular, por torpedo SMS - agora é a vez dos livros escritos através do twitter. Para quem ainda não está por dentro é assim: o twitter é uma espécie de microblog, nele você diz o que você está fazendo em até 140 caracteres. Você também pode dizer outras coisas, não apenas isso. Daí, as pessoas podem seguir você e te acompanhar 24 horas do dia. Ou você pode acompanhar o que as pessoas fazem 24 horas por dia.

O twitter também abre espaço para conversas, discussões, etc. Tudo de maneira bem micro. Acho que isso acaba sendo a encarnação daquela máxima - "post longo em blog ninguém lê". Então, a relação é como no twitter tudo vem micro, todo mundo lê. Creio eu que sim.

Bom, um sujeito que tem um twitter acabou fazendo tantas postagens que o negócio virou quase um livro. E não é que ele publicou! Só saiu nos Estados Unidos, acho que nunca alguém importou o negócio pra cá. Parece que é meio grande. Não sei como é o conteúdo, a linguagem, a trama, o enredo e tal. Mas imagino que deve ser bem pessoal e deve seguir essa linguagem da internet.

Acho difícil a onda pegar aqui no Brasil. A gente mal lê um livro por ano. E como disse um amigo meu "temos mais 'escritores' do que leitores". O mercado não absorve. Independente disso, o twitter até que é uma coisa interessante - quando bem usado.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Como é que se escreve um ensaio?

Taí uma pergunta que eu gostaria muito de saber responder. Não encontrei nenhuma fórmula nas minhas pesquisas sobre esse tema. Muito pelo contrário, encontrei foi liberdade plena da parte de quem escreve. Os grandes ensaístas dizem que o ensaio é uma forma perigosa justamente pela liberdade que ele nos dá. A tentação de embarcar em todos os assuntos é muito grande.


Talvez, o segredo do ensaio esteja em toda a atividade que acontece antes da escrita propriamente dita. O ensaísta precisa ter uma ideia e pensar muito sobre ela - fazer aqueles esquemas de ideias contra, à favor. Depois disso, pensar mais e mais. Até que as ideias estejam bem maduras e a redação finalmente comece. Depois de pronto, ainda é preciso olhar outras vezes. Dar tempo para que o ensaio cresça mais um pouco e ganhe força.


Em contrapartida a esse modelo, existe o ensaio literário. Ele não tem uma forma propriamente dita de ideias contra ou à favor - a liberdade é ainda maior. O ensaista pode escrever fazendo uso de imagens, metáforas, metonímias, etc. Além disso, a ideia pode aparecer de maneira figura, travestida.


Seja qual for o tipo de ensaio, existe uma verdade absoluta: o ensaio precisa ser claro, simples e conciso. De modo que a pessoa que o leia compreenda tudo o que você está dizendo. Mas me diga: existe tarefa mais complicada do que essa?

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Não sei ilustrar


Ultimamente ando meio fissurado por ilustrações. Na verdade, tenho de confessar, sempre tive uma ponta de inveja desse pessoal que sabe desenhar. Mais ainda desse pessoal que sabe fazer desenhos incríveis, com cores, traços, etc. Só que eu nunca fui atrás de fazer cursos de desenho e tal. Minha praia acabou sendo escrever.

Se tiver algum ilustrador lendo esse texto, por favor, não me julgue. É que estou apenas começando nesse ramo. Não vou fazer ilustrações, porque não sei desenhar. Pelo menos por enquanto, quem sabe amanhã ou depois de amanhã. Também não vou me tornar um conhecedor da noite para o dia. Sinta-se livre para mandar um sinal de fumaça, entrar em contato. De repente eu publico ilustrações por aqui.

Pior, ontem fui a livraria e vi um caderno - daqueles de desenho. Me deu uma vontade de comprar um para ficar rabiscando. Sabe? Que nem aqueles alunos de artes que tem "pequenos cadernos de anotações", de ideias, de desenhos...

E esse post vai ficar sem nenhuma ilustração porque eu não sei fazer uma. E acho meio chato colocar uma de outra pessoa, já que estou adotando esse tom - bem pessoal. Esse desenho que tá aí, peguei do Google.

domingo, 19 de abril de 2009

A revista SERROTE


Acho que nem comentei por aqui o lançamento da revista SERROTE. Iniciativa muito bem vinda do Instituto Moreira Salles. De acordo com a carta do editores, a revista será quadrimestral e trará sempre ensaios "originais, independentes, bem pensados e bem escritos". Os ensaios do número 1 são de autoria de gente como Antonio Cicero, Carlo Ginzburg, Franz Kafka, Mário de Andrade, Modesto Carone, etc. Ainda tem ilustrações de Saul Sateinberg.

Ficou bem bonita essa edição. Acho que é mais uma contribuição muito bem vinda do Instituto - eles também editam os Cadernos de Literatura. Tomara que a revista tenha vida longa e traga ensaios que não circulem apenas no meio acadêmico.

Se depender do time de editores: Flávio Pinheiro, Matinas Suzuky Jr., Rodrigo Lacerda e Samuel Titan Jr. - a revista tem tudo para dar certo. Tava querendo mesmo revistas com textos longos e textos que não sejam acadêmicos. Melhor ainda quando a edição é cuidada como essa. Como vi um diretor de redação dizer: "a revista tem de fazer, o que somente a revista sabe fazer".