segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

ENTREVISTA 02: CAMILO LAFALCE

gostamos de pensar sobre o rumo das coisas e entre essas coisas está a poesia, o poema e o fazer poético. justamente por esse motivo, conseguimos uma entrevista com um sujeito mais do que especialista no assunto: o professor Luiz Camilo Lafalce. ele foi nosso professor e muito gentilmente falou com a gente sobre o assunto poesia.


blog: tem gente – aliás, um número considerável – que acredita que poesia nasce dos sentimentos amorosos, dos temas políticos, das rimas, etc. essa imaginação deturpada que está em volta da poesia existe desde sempre ou é um fenômeno recente na nossa sociedade? se a gente fosse 'desmistificar' a poesia como é que teríamos de fazer?



Camilo: A poesia, como qualquer manifestação artística, é produto cultural: a cada época se transforma em função dos valores assumidos pela sociedade que a cria. No início do século XIX, por exemplo, a estética romântica concebeu a poesia como pura expressão dos sentimentos. Já Fernando Pessoa, no século XX, é categórico: "O poeta é um fingidor." De um modo geral, as pessoas ainda têm uma percepção que, no meu modo de ver, é anacrônica. Pra mim, o poema é, antes de tudo, um objeto de linguagem em que se experimenta, buscando sempre a homologia forma/conteúdo, novas percepções das realidades que vivenciamos.



blog: como é que se ensina poesia para alguém? como é que a gente pode deixar todo esse conteúdo interessante para as pessoas?



Camilo: "Ensinar a ler um poema" é expressão comprometedora. Na verdade, as pessoas lêem como querem ler. Ninguém tem o direito de colocar rédeas no leitor. Agora, quando se trata de um curso acadêmico, como o curso de Letras, por exemplo, a coisa é diferente. Esses cursos têm a pretensão de formar leitores/críticos, leitores comprometidos com a análise e a interpretação do texto, tendo por base uma fundamentação teórica consolidada desde Platão e Aristóteles. Daí a necessidade de se trabalhar com aqueles elementos estruturais que constroem o(s) sentido (s) do poema: imagem, sonoridade e idéia.



blog: você pode dizer três poetas fundamentais para quem nunca se interessou por poesia?



Camilo: Restringindo-me a poetas brasileiros, cito três do século XX. É um bom começo: Bandeira, Drummond e João Cabral. Um português: Camões.



blog: e como está a poesia hoje, estão fazendo alguma coisa 'nova'? para onde será que a poesia vai caminhar?



Camilo: Até onde minha vista (fraca e cansada) alcança, as "novidades" (entre aspas mesmo) ficam por conta das experiências poéticas visuais e cinéticas. Agora, é sempre possível a gente ter agradáveis surpresas com textos aparentemente mais tradicionais. Tudo depende da ousadia do poeta (e do leitor).



Luiz Camilo Lafalce é professor do curso de graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

4 comentários:

Anônimo disse...

Tive aula com ele na pós. Adorei. Mas o q queria mesmo ver publicado, é uma poesia dele...

Anônimo disse...

Um ótimo professor!!!

Alex F Correa disse...

Preciso entrar em contato com o Prof. Lafalce, para obter a sua tese sobre Dante Milano; alguém tem o email dele? Agradeço desde já! alex.f.c@ibest.com.br

Anônimo disse...

Fui aluno do Camilo na São Marcos e fazia parte do grupo de Teatro Dramarco, fundado por ele. Hoje sou professor da Uninove e devo muito a ele. Eduardo de Febo . P.S.: O cara tá cabeludo?!?!RsRs